O case da GP7 Cinema por trás de Meu Avô Stanislau: produção acelerada, identidade regional e alcance nacional

Por trás dos mais de 16,6 milhões de brasileiros alcançados na estreia nacional de Meu Avô Stanislau na TV Globo e da posterior liderança entre os filmes do Globoplay, existe uma história de produção tão singular quanto a narrativa exibida na tela.

 

Coproduzido pela GP7 Cinema, pela TV Globo e pela RPC, o telefilme foi idealizado, desenvolvido, produzido, finalizado e entregue em apenas sete meses — um prazo considerado excepcional para os padrões da indústria audiovisual brasileira, onde um longa-metragem costuma levar cerca de dois anos entre desenvolvimento e lançamento.

 

Filmado integralmente em Prudentópolis, no interior do Paraná — município reconhecido por sua forte herança eslava e ucraniana —, Meu Avô Stanislau conta a história de Bóris, um adolescente hiperconectado ao universo digital que, ao ser enviado para passar um período com o avô no interior, embarca em uma jornada de reconexão com a família, com a comunidade e com suas próprias raízes.

 

Para Guto Pasko, produtor e diretor do telefilme, o projeto carrega também uma dimensão pessoal.

 

“O telefilme mostra um Brasil diferente, um Brasil estrangeiro, um Brasil Made in Paraná. Filmar em Prudentópolis, de alguma forma, também foi retratar a história dos meus antepassados, já que minha família veio da Ucrânia em 1896 e ajudou a fundar o município.”

 

Além do desafio criativo, a produção exigiu uma operação industrial de alta complexidade.

 

“Tivemos apenas sete meses para realizar todo o processo — da ideia ao roteiro, passando pela pré-produção, filmagens, pós-produção e entrega para exibição nacional. Isso reforça a maturidade e a capacidade de entrega da GP7 Cinema para atender grandes players do mercado a partir de Curitiba”, completa Pasko.

 

A produtora Andréia Kaláboa, sócia da GP7 Cinema e natural de Prudentópolis, destaca o aspecto emocional da produção.

“O filme trata de um neto que se desconecta das redes para se conectar com o avô e com a comunidade do avô. Para mim, filmar na minha cidade natal, com tantas pessoas da comunidade, foi também um retorno às minhas raízes.”

 

O roteirista Gil Marcel Cordeiro explica que a história nasceu da intenção de unir afeto familiar e pertencimento coletivo.

“Meu desejo era aproximar duas camadas de afeto: a relação entre avô e neto e esse sentimento de comunidade que abraça quem vive em volta deles.”

 

Na fotografia, João Castelo Branco transformou as paisagens naturais de Prudentópolis em parte essencial da narrativa.

“O desafio foi sustentar visualmente a delicadeza dessa relação de afeto entre avô e neto dentro da paisagem exuberante de uma colônia de imigrantes eslavos.”

 

A construção visual do universo do filme também exigiu uma pesquisa aprofundada de direção de arte. Para Isabelle Bittencourt, o objetivo era garantir autenticidade. “Caracterizar casas, objetos e vestimentas com fidelidade exigiu um mergulho profundo na cultura desses povos. A grande festa ucraniana do final foi um dos maiores desafios.”

 

A trilha sonora original seguiu o mesmo caminho de pesquisa cultural. As compositoras  Lilian Nakahodo e Grace Torres incorporaram instrumentos tradicionais como Bandura e Bayan, buscando traduzir musicalmente a identidade daquela comunidade.

 

No elenco, a experiência também deixou marcas profundas. Fhelipe Gomes, intérprete de Bóris, resume a essência da obra:

“Quando uma geração escuta a outra, o tempo deixa de separar e vira ponte. E é aí que a gente aprende que conexão não é sobre tecnologia, é sobre humanidade.”

 

Ranieri Gonzalez, que vive Stanislau, destaca a experiência de mergulhar naquela comunidade.“Estar inserido naquele ambiente, cercado por pessoas reais de Prudentópolis, fez com que a magia acontecesse.”

 

A atriz Laura Haddad reforça a dimensão cultural da obra: “Participar desse filme foi dar vida à cultura ucraniana no Paraná e à força das memórias de uma comunidade tão importante para o nosso estado.”

 

Com participação de artistas locais, integrantes da comunidade, grupos folclóricos e uma equipe técnica majoritariamente paranaense, Meu Avô Stanislau tornou-se mais do que um telefilme: transformou-se em um retrato sensível da diversidade cultural brasileira e em um case concreto de que o audiovisual produzido fora dos grandes centros pode combinar identidade regional, excelência artística e alcance nacional.

 

Para a GP7 Cinema, os bastidores de Meu Avô Stanislau confirmam algo construído ao longo de 25 anos de trajetória: a capacidade de transformar histórias locais em conteúdos com relevância nacional, prontos para dialogar com milhões de espectadores em qualquer janela de exibição.

ANDRÉIA KALÁBOA

Produtora e Diretora

Graduada em Rádio e TV (UTP) e especialista em Produção Executiva (FGV e UP) e Desarrollo de Proyectos Cinematográficos Iberoamericanos (Fundación Carolina– Madrid). Produziu 64 obras, tendo como destaque a série de ficção “Contracapa” (Amazon Prime Video / AXN / TV Brasil) e os longas-metragens de ficção “Lamaçal”, coprodução Brasil/Argentina e “Entrelinhas”.  Circulou em importantes laboratórios com o roteiro “Sereis Uma Só Carne”, longa-metragem produzido em 2024, que marca sua estreia como diretora em longa-metragem ficcional. 

ANDRÉIA KALÁBOA

Produtora e Diretor

Graduada em Rádio e TV (UTP) e especialista em Produção Executiva (FGV e UP) e Desarrollo de Proyectos Cinematográficos Iberoamericanos (Fundación Carolina– Madrid). Produziu 53 obras, tendo como destaque a série de ficção “Contracapa” (Amazon Prime Video / AXN / TV Brasil) e o longa-metragem de ficção “Lamaçal”, coprodução Brasil/Argentina. Circulou em importantes laboratórios com o roteiro “Sereis Uma Só Carne”, que será sua estreia como diretora em longa-metragem ficcional.