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Guto Pasko, Notícias, Projetos

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O novo filme de longa-metragem ficção do diretor paranaense Guto Pasko será um recorte histórico da luta contra a ditadura e pela construção da liberdade e democracia no Brasil a partir do Paraná.

Resumo do Projeto: 

Em 1971, Beatriz, 17 anos, sai de casa em Curitiba para fazer uma entrevista de emprego numa estatal. Ao chegar, quem a aguarda são policiais do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de Curitiba, que a levam detida sob a acusação de ser colaboradora de estudantes subversivos presos. Entre eles, sua irmã Elisabeth. Depois de torturada, sem que os militares comprovem o envolvimento com as acusações, Beatriz é entregue aos pais por um oficial do Exército que apenas admite o engano. 

A produção do filme levará a assinatura de Andréia Kaláboa, que já produziu os longas “Sociedade”, “Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná”, “Iván – De Volta Para o Passado” e “Sim, Também Somos Ucranianos”, todos com direção de Guto Pasko. Kaláboa também é codiretora do filme “Sim, Também Somos Ucranianos”

O roteiro escrito por Rafael Monteiro e Tiago Lipka, com colaboração de Guto Pasko, foi livremente inspirado em fatos reais ocorridos com a então estudante colegial curitibana Ana Beatriz.

Segundo pesquisa realizada recentemente, Curitiba é hoje a cidade com maior índice de jovens que desejam a volta da ditadura, o que estarrece qualquer indivíduo que defenda a liberdade e o estado democrático de direito.

A ditadura militar no Brasil é uma história ainda muito recente e a repressão passou pelo Paraná tanto em termos de resistência como em termos de ação do Estado, sendo o nosso estado um dos cernes da ditadura, mas parece que o assunto é totalmente desconhecido ou ignorado por aqui.

No dia 31 de março de 1964, Curitiba tinha pouco mais de 400 mil moradores. Só no dia do golpe, mais de 300 prisões foram feitas no Paraná. Daquele dia em diante, foram 21 anos de repressão militar.

Desde que foi instituída a “Comissão da Verdade”, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988), o assunto está na pauta nacional novamente. E o tema da ditadura no Paraná não pode continuar esquecido.

A resistência em Curitiba tinha focos de atuação no movimento estudantil, no sindicato dos bancários e no sindicato dos jornalistas. Se hoje vivemos num país democrático e livre, isso se deve em grande parte ao período de lutas e resistência destes militantes de esquerda, que precisam ser rememorados.

Quase inexistem registros sobre a ditadura no Estado do Paraná, nem mesmo no mundo acadêmico se produzem pesquisas, o que é no mínimo curioso, uma vez que em 1968 na UFPR – Universidade Federal do Paraná nasceu um dos importantes movimentos de resistência estudantil do País.

Uma das raras publicações existentes é o livro Memórias Torturadas e Alegres de um Preso Político, de Ildeu Manso Vieira, que deu origem a uma peça teatral encenada na edição de 2012 do Festival de Teatro de Curitiba, baseada em relatos pessoais de Ildeu colhidos do livro. Sobre o tema da ditadura no Paraná, o diretor do espetáculo Gehad Hajar, disse: “A sensação é que o nosso estado sofre de amnésia histórica”.

O Paraná foi sede de grandes movimentos de resistência na época da ditadura. O MR8, por exemplo, teve um braço forte no oeste do Estado, tendo sido um dos pilares da contra-revolta no país enquanto não foi desmantelado e a guerrilha Var Palmares, teve uma célula que se armava no Parque Nacional do Iguaçu, da qual a personagem central do filme foi acusada de supostamente pertencer. Esse tema será abordado no filme também, uma vez que depois de três dias de torturas em Curitiba, após aparecerem indícios de que Beatriz teria conexões com esta guerrilha armada,  transferiram ela para Foz do Iguaçu, onde continuou a ser torturada para que confessasse a sua participação e delatasse os demais colegas supostamente envolvidos.

Existe um outro fato curioso e desconhecido na história paranaense na ditadura que foi a passagem de Ernesto Che Guevara por Curitiba. Ele teria vindo pra cá de ônibus de São Paulo para trazer informações sobre o movimento revolucionário que liderava na América Latina e também queria colher aqui informações das ações de resistência de esquerda, principalmente as da região oeste e da tríplice fronteira.

Depois de se encontrar com os companheiros de esquerda em Curitiba, rumou para o oeste do Paraná, e segundo o que consta nos documentos do governo do Estado da época, eles sabiam da sua presença, porém não o prenderam porque queriam investigar as conexões dele com os movimentos armados do Estado, principalmente com os da tríplice fronteira. Dali Che Guevara seguiu para a Bolívia onde encontrou a morte.

Existe uma especulação de que informações que teriam saído da passagem dele por Curitiba, levaram ele a morte.

Para Pasko, a ditadura no Paraná é um recorte da história do Brasil que precisa ser contada.

“Entender o processo de democratização vai além de questões partidárias, ideológicas ou regionalistas. É saber sobre nossa própria identidade, não apenas paranaense, mas brasileira”, diz ele.

Para mais informações, acesse o site do Programa Petrobrás Cultural:
http://ppc.petrobras.com.br/resultados/