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Guto Pasko, Imprensa, Notícias

Comments Off on História de prato típico paranaense é tema de documentário

Matéria publicada no CADERNO G do Jornal Gazeta do Povo em 2005.

A peleja do barreado

Projeto é um dos selecionados do estado no programa DOCTV 2005.

PRATO MAIS CONHECIDO DA CULINÁRIA paranaense, o barreado é centro de uma disputa histórica entre as principais cidades do litoral do estado, que revindicam para si a origem da receita. Essa divergência é o ponto de partida do documentário Antonina, Morretes e Paranaguá – Unidas pela História, da jornalista Maria Fernanda Cordeiro, um dos projetos vencedores do segundo edital do programa DOC-TV, criado pela Rede Pública de Tevê (liderada pela TV Cultura, de São Paulo), em parceria com o Ministério da Cultura.

Foram selecionadas 32 propostas de todos os estados brasileiros (o Paraná é um dos que contempla dois projetos), que receberam R$ 100 mil cada (recursos em dinheiro e equipamentos), para a realização de um vídeo de 55 minutos a ser veiculado nas tevês educativas de todo o Brasil. Além do trabalho de Cordeiro, o outro documentário do DOC-TV 2005 no estado é Zequinha Grande Gala, de Carlos Henrique Túllio, que tem como tema as históricas balas Zequinha.

Segundo pesquisa realizada por Maria Fernanda, o prato barreado é feito no Paraná há cerca de 200 anos. “Alguns contam que a receita do barreado veio com os açorianos, depois foi se adaptando no litoral daqui”, conta. Mas existem várias versões, nenhuma precisa, sobre a origem do prato típico. “Uma delas diz que ele surgiu com os escravos, que pegavam sobras de carnes dos bois dos senhores de terra, colocavam numa panela de barro e enterravam. Eles acendiam uma fogueira em cima do local, e, para disfarçar o que estavam fazendo, dançavam a noite inteira ao redor do fogo. No dia seguinte, desenterravam a panela com o cozido pronto”, lembra Guto Pasko, co-diretor do documentário (sua produtora, a GP7, é responsável pelo projeto). Em 2004 ele foi um dos vencedores do edital de cinema e vídeo do governo estadual (categoria telefilme), com um projeto de documentário sobre os ucranianos no Paraná (atualmente em fase de pré-produção).

Outra história sobre o barreado afirma que a comida era feita para os festejos de carnaval -,também em panelas de barro, que eram enterradas por alguns dias. As pessoas se divertiam enquanto a carne cozinhava. Depois de pronto, o prato, considerado revitalizador, era servido aos foliões. “Existe ainda uma versão dizendo que o prato teria surgido com os tropeiros. Essa é a mais contestada. Como um tropeiro andaria quilômetros e quilômetros no lombo de uma mula, carregando a enorme panela necessária para fazer o prato, parando no meio do caminho, para fazer a comida e esperando um dia para tudo ficar pronto?”, lembra Pasko.

Hoje em dia, o barreado não é mais feito em panelas de barro. Costuma-se usar uma penela de pressão, que acelera o processo de cozimento para dez, 12 horas “apenas”. “Pesquisamos e constatamos que só dois lugares do litoral ainda fazem o prato à moda antiga, um em Paranaguá e outro em Antonina. Os restaurantes não usam a panela de barro por causa da vigilância sanitária, que não fornece alvarás de funcionamento se o prato for feito dessa forma”, observa o co-diretor.

A receita do prato muda muito pouco de uma cidade para outra, mas, mesmo assim, esse é um fator que gera muitos embates entre os habitantes das cidades. “A intenção do documentário é apimentar essa discussão, provocar as pessoas em relação ao tema. Não pretendemos levantar a bandeira de uma das cidades, ou de uma das versões de autoria do barreado, pois não há como comprovar como o prato realmente surgiu”, avisa Pasko.

Pontos de ligação

A produção não pretende se fixar apenas no barreado, pois Antonina, Morretes e Paranaguá têm outras características comuns. “Quando comecei a me aprofundar mais na pesquisa, descobri várias ligações entre as cidades. A partir disso, fui abrindo o leque de temas e incluindo coisas que as uniam”, revela Maria Fernanda Cordeiro, dando como exemplo a construção da Estrada da Graciosa, que foi disputada pelos municípios para decidir quem teria o direito à ligação com a capital. O mesmo aconteceu na construção da estrada de ferro. “A região é muito rica culturalmente, cada assunto rende um documentário específico – o fandango, os alambiques de cachaça em Morretes (bebida que acompanha o barreado), o modo de vida do caiçara, os portos”, continua Guto Pasko.

O documentário será baseado nas histórias e depoimentos dos habitantes locais. Os diretores também pretendem investir nas imagens da região (são 40 horas de material gravado) e na trilha sonora. Em Antonina, a produção registrou o trabalho de um grupo de seresteiros, liderados por Rui, filho da tradicional dupla Belarmino e Gabriela, que sai cantando pela madrugada do último sábado de cada mês, atendendo pedidos de músicas (que são deixados penduradas em placas nas casas), vestido com figurino dos anos 20. “Gravamos também com um grupo de jovens da Ilha dos Valadares, em Paranaguá, que dança fandango e que está resgatando a Festa do Divino. Eles têm musicas fantásticas. Queremos ainda registrar o depoimento do Carrigo (musico conhecido da região) e utilizar uma das suas musicas na trilha”, conta o diretor.

A partir desta semana, a produção inicia os trabalhos de edição de Antonina, Morretes e Paranaguá – Unidas pela História. O prazo de entrega do filme é 30 de maio. A data de veiculação do documentário ainda será definida pela Rede Pública de Tevê.

Rudney Flores

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Cursos Atores, Guto Pasko, Notícias

Comments Off on Guto Pasko é a novidade do audiovisual paranaense

Matéria publicada no CADERNO G do Jornal Gazeta do Povo em 30 de dezembro de 2004.

PERSONAGEM – Guto Pasko é a novidade do audiovisual paranaense.

Made in Ucrânia

Diretor irá realizar dois documentários para TV em 2005

Ao ser anunciada, a duas semanas, a lista dos vencedores do primeiro edital de cinema e vídeo da Secretaria de Estado da Cultura trouxe como novidade a presença de Guto Pasko, 28 anos, um novo produtor e diretor paranaense, que teve seu projeto de documentário, Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná, aprovado na categoria telefilme. Ele foi selecionado juntamente com nomes mais conhecidos do cinema paranaense. Os diretores Fernando Severo e Marcos Jorge (na categoria longa), os irmãos Werner e Willy Schumann, e a fotógrafa e cineasta Heloísa Passos (os três últimos também com propostas de telefilmes).

Pasko é proprietário da GP7 Cinema & Atores (produtora, agência de atores e escola de cinema e tevê) e no final deste ano lançou o longa-metragem independente Sociedade, apresentado na Cinemateca de Curitiba. A empresa também será responsável pela produção de Antonina, Morretes e Paranaguá – Unidas pela História, de Maria Fernanda Cordeiro, um dos dois projetos paranaenses vencedores da segunda edição do DOC-TV (programa criado pelo Ministério da Cultura e Rede Pública de Televisão para incentivar a produção de documentários no país) – Pasko irá co-dirigir o trabalho.

Descendente de ucranianos – daí o interesse por contar a história desse povo europeu no Paraná -, o diretor nasceu em Prudentópolis (sudeste do estado), de onde saiu para a capital paranaense com 11 anos, pois não queria ser padre, como desejava seu pai. “A gente vivia isolado na comunidade e até os 8 anos eu não falava português. Era um garoto muito tímido e, quando cheguei em Curitiba, a galera zoava da minha cara, pois eu falava tudo “erado” e nada “coreto”, brinca. A melhora no português foi conseguida com a ajuda de uma professora na escola, que lhe deu muitos livros para ler, ajudando-o no desenvolvimento da linguagem. Ainda nesta época de criança, Pasko conheceu o teatro, através de uma peça infantil, e decidiu que queria fazer parte do mundo das artes. “Queria fazer um curso de teatro, mas não tinha recursos. Na minha família quem não é agricultor é cabeleireiro. Aos 15 anos, recebi dinheiro de uma tia minha pra fazer um curso de cabeleireiro, mas paguei o meu primeiro curso de teatro, da Companhia Os Satyros”, revela. Alguns anos mais tarde, ele iria para o Rio de Janeiro, fazer cursos na Casa de Talentos, escola especializada em cinema e televisão (formadora de alguns atores globais como Giovana Antonelli, Leonardo Brício e Lavínia Vlasak). Ficou cinco anos por lá, acabou virando professor do estabelecimento e até abriu uma franquia na capital carioca, sendo fechada após a falência da empresa.

Pasko voltou a Curitiba em 2001, quando abriu a GP7. “Comecei com uma filosofia parecida com a da Casa de Talentos, de escola especializada principalmente em interpretação. Em Curitiba, temos muitas e ótimas escolas de teatro, mas nada mais voltado para a atuação no segmento de cinema e televisão”, confirma ele, lembrando que em 2004 o italiano Pietro Barana tornou-se seu sócio. Além da formação de atores, a empresa oferece cursos técnicos de cinema (roteiro, produção e direção) e também começa a agenciar atores, trabalho que já faz informalmente e que será realizado de forma oficial a partir de janeiro. Há também o braço produtor da empreitada, que além dos documentários vencedores de concursos, pretende realizar mais quatro curta-metragens em 2005 – três em Curitiba e um em Ponta Grossa, onde há uma filial da GP7. “O mercado de cinema está crescendo no país e tem boas perspectivas, mesmo no Paraná. Os filmes que serão realizados com o prêmio estadual deverão gerar centenas de empregos diretos para as pessoas daqui”, finaliza.

Serviço:
GP7 Cinema & Atores (Rua Fagundes Varela, 1878 – Jd. Social), (41) 362 2525).

Projetos GP7:
Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná – projeto de documentário vencedor do prêmio estadual de cinema e vídeo na categoria telefilme.
Antonina, Morretes e Paranaguá – Unidas pela História- projeto de documentário vencedor da segunda edição do DOC-TV.
Agosto Amargo, Festa de Eliete e 23 Degraus, curtas-metragens que serão realizados em Curitiba em 2005. Teoria X, curta a ser realizado em Ponta Grossa.

Rudney Flores