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Cinco longas-metragens produzidos pela GP7 Cinema com direção de Guto Pasko integram a programação de dezembro do Canal Pago CINEBRASiLTV, especializado em conteúdo nacional.

Sobre os filmes:

“Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná” – 102 min / 2006

O longa-metragem faz um resgate histórico da imigração ucraniana no Estado do Paraná, desde a chegada dos primeiros imigrantes há 110 anos atrás até os dias de hoje, mostrando como os imigrantes mantiveram vivas todas as suas tradições e costumes, tais como a língua, o folclore, a religiosidade, os cantos, artesanato e arquitetura, influenciando diretamente na cultura paranaense.

Mais do que retratar a história desse povo no Paraná, o filme e a minissérie nos mostram um panorama geral da Ucrânia e dos principais acontecimentos políticos que marcaram a sua história, explicando os motivos das três fases da imigração desta etnia ao Brasil, traçando um paralelo entre as comunidades ucranianas do Brasil com a história da Ucrânia antiga, desde o Principado de Kiev até os dias de hoje, nos evidenciando que, um século depois, a situação econômica e política da Ucrânia não mudaram muito e os ciclos imigratórios continuam.

“A Guerra de Toyo” – 71 min / 2013

Toyo Kato é japonesa, mas vivia na Manchúria (China) no período da segunda guerra mundial. Ela não sabia o que estava acontecendo ao seu redor, nem do que fugiam. Nunca viu nenhum confronto de perto, mas presenciou a morte trágica do marido, das duas filhas e de muitas outras pessoas. Depois de tentativas frustradas de suicídio, ela encontrou forças para reconstruir a sua vida no Brasil. A Guerra de Toyo é um relato impressionante de uma sobrevivente dos bastidores periféricos de uma guerra.

“Numa guerra não há exceção, todos sofrem” – Toyo Kato.

“Sim, também somos ucranianos” – 71 min / 2013

A imigração ucraniana para o Brasil teve início no ano de 1891, com a chegada ao Estado do Paraná de oito famílias de imigrantes provenientes da cidade de Zolotiv, Província de Lviv, região oeste da Ucrânia. Na sequência, tivemos mais três grandes levas de imigração para o país. 120 anos depois da chegada dos primeiros imigrantes, um grupo de 186 brasileiros, a maioria descendentes destes imigrantes ucranianos, retorna ao país de origem de seus antepassados para comemorar esta data simbólica, que coincidiu com as comemorações dos 20 anos de Independência da Ucrânia. No encontro com a Ucrânia de hoje, muita alegria, emoção e surpresas. Uma verd adeira imersão histórico-cultural no cotidiano desse país e seu povo, que apesar de sempre ter sido subjugado, jamais abandonou suas crenças e tradições.

E esta identidade ucraniana é arduamente mantida até hoje pelos descendentes que vivem no Brasil, que têm muito orgulho em dizer: “Sim, também somos ucranianos!”

“Clube dos Solitários” – 71 min / 2015

Um programa de rádio em Curitiba, comandado por Rosaldo Pereira, resistiu por quatro décadas no ar a moda antiga e ajudou a milhares de corações solitários a encontrarem sua cara metade através de cartas e do “Clube dos Solitários”, onde librianas carentes, leões abandonados e geminianos à procura de sua alma gêmea se encontram. No Clube dos Solitários o amor acontece.

“IVÁN” – 109 min / 2015.

Em 1942 Iván Bojko foi arrancado pelos nazistas de sua aldeia natal e levado para Alemanha para trabalhos forçados. Em 1948 ele imigrou para o Brasil como refugiado da segunda guerra mundial e nunca mais conseguiu voltar para a Ucrânia, mas se manteve ligado às tradições culturais do seu país através da musica.

68 anos depois, o filme documenta o retorno de Iván Bojko a sua terra natal, numa verdadeira viagem de “volta ao passado”, já aos 91 anos de idade.

Baseado nos diários de Iván, as imagens e sons funcionam como canais de acesso a uma experiência do imaginário, que atravessam as simples lembranças do imigrante e chegam ao nosso imaginário também.

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O longa-metragem IVÁN da GP7 Cinema com direção de Guto Pasko chegou nesta semana na TV por Assinatura em rede nacional no canal CINEBRASiLTV que está disponível em várias operadoras.

Em 1942 Iván Bojko foi arrancado pelos nazistas de sua aldeia natal e levado para Alemanha para trabalhos forçados. Em 1948 ele imigrou para o Brasil como refugiado da segunda guerra mundial e nunca mais conseguiu voltar para a Ucrânia, mas se manteve ligado às tradições culturais do seu país através da musica.

68 anos depois, o filme documenta o retorno de Iván Bojko a sua terra natal, numa verdadeira viagem de “volta ao passado”, já aos 91 anos de idade.

Baseado nos diários de Iván, as imagens e sons funcionam como canais de acesso a uma experiência do imaginário, que atravessam as simples lembranças do imigrante e chegam ao nosso imaginário também.


Próximas Apresentações
Datas / Horários
quarta-feira, 29/11/2017 às 23:55
sexta-feira, 01/12/2017 às 03:00
segunda-feira, 04/12/2017 às 14:30
quinta-feira, 14/12/2017 às 15:40

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O filme da GP7 Cinema estará no Festival de Cinema Brasileiro em Ternopil na Ucrânia, organizado pela Embaixada do Brasil em Kiev com o apoio da Administração Estatal Regional de Ternopil.
O Festival será de 6 a 8 de outubro de 2017 no “Palácio do Cinema”. Além do longa IVÁN, compõem a mostra os filmes “O Sal da Terra” e “Central do Brasil”.
O filme narra a história do imigrante ucraniano refugiado de segunda guerra mundial Iván Bojko, que foi sequestrado pelos nazistas em sua aldeia natal na província de Ternopil na Ucrânia em 1942 e levado para campos de trabalhos forçados na região de Hannover na Alemanha. Após a guerra, Iván imigrou para o Brasil e nunca mais retornou para a Ucrânia. O filme “Iván” documenta o retorno do imigrante ao seu país de origem 68 anos depois, já aos 91 anos de idade, numa verdadeira odisseia nesta viagem de volta ao passado.
A direção é de Guto Pasko e a produção de Andréia Kaláboa.

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O longa documentário aborda o cotidiano do município paranaense de Prudentópolis e fecha a trilogia ucraniana do diretor.

O município de Prudentópolis no Paraná é peculiar. Tudo inspira a Ucrânia. Dos atuais 52 mil habitantes, 75% são de origem ucraniana. Os ucranianos em Prudentópolis fizeram-se valer da superioridade numérica para impor seus meios de identificação, fazendo que, concomitantemente, os demais que também habitam a região (brasileiros e poloneses), assimilassem seus usos e costumes e, deste modo, aceitassem suas representações de modo incontestável, tornando-se um caso único no mundo, aonde o grupo que chega, domina o grupo receptor.

Embora estes três filmes abordem a temática da imigração ucraniana, são filmes absolutamente diferentes e independentes, com focos bem específicos, porém, se completam enquanto temática e estudo de caso.

O primeiro filme de Pasko que aborda a imigração ucraniana é o longa-metragem “Made in Ucrânia” (2006), que faz um resgate histórico-didático sobre a Ucrânia e as três fases da imigração para o Brasil.

O segundo filme é o longa-metragem “Iván” (produzido em 2010/2011 e lançado nos cinemas em 2015), retratando a vida do imigrante ucraniano Iván Bojko, que vive em Curitiba e é refugiado de segunda guerra mundial. O documentário é baseado nos diários pessoais dele e pano de fundo do filme é o comunismo soviético na Ucrânia e sofrimento desse imigrante nas mãos dos nazistas depois de ter sido sequestrado por eles numa aldeia rural da Ucrânia e levado para trabalho forçado na Alemanha no período da guerra.

O longa também foi selecionado no Edital de Licenciamento de filmes paranaenses promovido pela Secretaria de Cultura do Estado com o objetivo de estimular a difusão do audiovisual paranaense na Rádio e TV Educativa do Paraná (RTVE) – TV É-Paraná. As obras selecionadas e licenciadas passarão a fazer parte do cadastro de obras audiovisuais da RTVE pelo período de dois anos e serão veiculadas dentro da grade de programação da emissora.

A estréia do filme acontece dentro do festival internacional Olhar de Cinema. São duas sessões do filme dentro do festival. Dia 08/06 às 21h30min na sala 3 do Cine Itáu do Shopping Crystal no Batel, seguida de debate com o diretor Guto Pasko e Dia 09/06 às 16h30min na sala 4 do Cineplex do Shopping Novo Batel.

O filme foi produzido via Art. 1o. A da Lei do Audiovisual e contou com patrocínio master da COPEL através do Programa Conta Cultura da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, além de contar com patrocínio do BRDE, LAQUILA e CASAFERTIL.

Ficha Técnica:

Roteiro e Direção: Guto Pasko
Produção Executiva: Andréia Kaláboa
Direção de Produção: Amarildo Martins
Direção de Fotografia: João Castelo Branco
Captação e Edição de Som: Elenton Zanoni
Montagem: Guto Pasko e Heidi Peters

SINOPSE:

Em Prudentópolis no sul do Brasil, 75% da população são de origem ucraniana. Lá, os “brasileiros” sempre foram obrigados a compartilhar mesmo que involuntariamente, dos usos e costumes desse povo, que os “impôs” no dia-a-dia da população local por mais de um século, gerando muitos conflitos com quem não é ucraniano. Mas o processo de aculturação chegou, e para todos.

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O longa-metragem documental será exibido nesta quinta-feira, 01 de junho, às 19h no CineDocs do SESC Paço da Liberdade em Curitiba.

Após a sessão haverá um debate entre a platéia e o diretor do filme Guto Pasko.

A entrada é gratuita e limitada a capacidade do local.

O Paço da Liberdade fica na Praça Generoso Marques, 189 – Centro – Curitiba.

IVÁN é uma produção da GP7 Cinema e a distribuição nos cinemas foi da Moro Filmes.

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Iván Bojko, protagonista do documentário de longa-metragem “IVÁN”, faleceu na noite de 23.12.2016, aos 97 anos de idade, na cidade de Curitiba.

Iván era ucraniano e veio para o Brasil como refugiado de segunda guerra mundial.

Iván Bojko vivia numa aldeia rural na Província de Ternópil no oeste da Ucrânia quando em 1942 foi sequestrado pelos nazistas e levado para campos de trabalhos forçados na Alemanha.

Após a guerra, ele não pode voltar para a Ucrânia porque naquele momento ela fazia parte da União Soviética e os russos consideravam quem estava na Alemanha como inimigo e então seu destino foi o Brasil e nunca mais conseguiu voltar para sua pátria.

A história de Iván Bojko chegou aos cinemas pelas mãos do cineasta paranaense Guto Pasko, que após receber dele seus diários de vida, decidiu produzir o longa-metragem com os percalços que o personagem passou.

O filme “IVÁN” documenta o retorno dele à sua terra natal 68 anos depois, já aos 91 anos de idade. Através do cinema, Iván Bojko ficou eternizado!

A produtora GP7 Cinema se solidariza com os familiares de Iván Bojko no Brasil e na Ucrânia. Foi uma honra contar essa história!

IVÁN BOJKO
*15.06.1919
+23.12.2016

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O filme de Guto Pasko aborda o cotidiano do município paranaense de Prudentópolis e fecha a trilogia ucraniana do diretor. O longa foi selecionado no Edital de Licenciamento de filmes paranaenses promovido pela Secretaria de Cultura do Estado com o objetivo de estimular a difusão do audiovisual paranaense na Rádio e TV Educativa do Paraná (RTVE) – TV É-Paraná. As obras selecionadas e licenciadas passarão a fazer parte do cadastro de obras audiovisuais da RTVE pelo período de dois anos e serão veiculadas dentro da grade de programação da emissora.

O primeiro filme de Pasko que aborda a imigração ucraniana é o longa-metragem “Made in Ucrânia” (2006), que faz um resgate histórico-didático sobre a Ucrânia e as três fases da imigração para o Brasil.

O segundo filme é o longa-metragem “Iván”  (produzido em 2010/2011 e lançado nos cinemas em 2015), retratando a vida do imigrante ucraniano  Iván Bojko, que vive em Curitiba e é refugiado de segunda guerra mundial. O documentário é baseado nos diários pessoais dele e pano de fundo do filme é o comunismo soviético na Ucrânia e sofrimento desse imigrante nas mãos dos nazistas depois de ter sido sequestrado por eles numa aldeia rural da Ucrânia e levado para trabalho forçado na Alemanha no período da guerra.

E o terceiro e último longa-metragem da trilogia ucraniana é “Entre Nós, O Estranho”, sobre a cidade natal do diretor. O município de Prudentópolis no Paraná é peculiar. Tudo inspira a Ucrânia. Dos atuais 52 mil habitantes, 75% são de origem ucraniana. Os ucranianos em Prudentópolis fizeram-se valer da superioridade numérica para impor seus meios de identificação, fazendo que, concomitantemente, os demais que também habitam a região (brasileiros e poloneses), assimilassem seus usos e costumes e, deste modo, aceitassem suas representações de modo incontestável, tornando-se um caso único no mundo, aonde o grupo que chega, domina o grupo receptor.

Embora estes três filmes abordem a temática da imigração ucraniana, são filmes absolutamente diferentes e independentes, com focos bem específicos,  porém, se completam enquanto temática e estudo de caso.

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De 21 até 28 de agosto de 2016 acontece a VII Semana Ucrânia em Prudentópolis/PR. O município é conhecido como a pequena Ucrânia brasileira, uma vez que cerca de 75% dos seus aproximadamente 52 mil habitantes são de origem ucraniana. No dia 24 de agosto é o dia da Independência da Ucrânia, que este ano comemora 25 anos de Independência, que veio somente com o fim da União Soviética em 1991. Neste ano também comemora-se os 125 anos da imigração ucraniana para o Brasil.

Na programação oficial da Semana Ucraniana de Prudentópolis várias atividades irão acontecer, como Sessão Solene na Câmara Municipal em homenagem aos 125 anos de imigração, lançamento do livro “Diversidade étnica e cultural no interior do Paraná” que contempla em boa parte a história dos imigrantes ucranianos no município, Festival do Varéneke (culinária típica), Concentração Cívica, Divida Liturgia na Catedral Ucraniana São Josafat, apresentação do Grupo Folclórico Ucraniano “Vesselka”, show do cantor ucraniano Arkadiy Voitiuk e uma grande ação cultural na cidade e pelas colônias rurais do município com sessões especiais do filme IVÁN, que retrata a história de vida do imigrante ucraniano Iván Bojko, refugiado de segunda guerra mundial que é radicado em Curitiba desde 1948. Guto Pasko, diretor do filme, é nascido em Prudentópolis.

Exibições do filme IVÁN na VII Semana Ucraniana de Prudentópolis:

21/08 – Linha Barra Vermelha
22/08 – Ligação
23/08 – Linha Marcondes
24/05 – Casa da Cultura de Prudentópolis*.
25/08 – Barra Bonita
25/08 – Vila Iguaçu
26/08 – Linha Esperança

No dia 24/08 a exibição do longa-metragem será na Casa da Cultura Prudentópolis em parceria com o Núcleo de Estudos Eslavos – NEES da UNICENTRO – Universidade Centro Sul do Paraná.

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Por Celso Sabadin do Planeta Tela.

Foi Tolstoi – não foi? – que disse que se o escritor quiser ser universal, ele deve retratar sua própria aldeia? Pois o cineasta Guto Pasko deu um passo além: não só criou um documentário universal, ao abordar valores de profunda identificação com todas as culturas e corações mundiais, como também levou o próprio objeto de seu filme de volta à sua aldeia.

Explico: o longa “Iván” focaliza a simpática figura de Iván Bojko, refugiado ucraniano que durante a Segunda Guerra foi tirado à força de seu país por nazistas, realizou trabalhos forçados na Alemanha, imigrou para o Brasil, e nunca mais viu sua família nem sua terra. Aos 91 anos, hoje o Sr. Iván seria um prato cheio para um belo documentário que contasse todas esta histórias. Mas o filme guarda uma surpresa (não é spoiler) que o coloca alguns degraus acima de (mais) um simples registro de um sobrevivente de guerra: para o espanto do próprio entrevistado, a produção do longa armou o seu retorno à Ucrânia, para revisitar a terra que forçosamente abandonara há mais de 60 anos, e conhecer parte de sua família que nunca vira.

“Iván” é o registro desta jornada. É um filme sobre retornos, reencontros, raízes culturais, relações familiares, perdas… não tem como não emocionar. Não tem como vê-lo de olhos secos, principalmente num momento como este, onde o tema dos refugiados volta à pauta mundial, com terríveis repercussões.

“Iván” tem direção de Guto Pasko, realizador paranaense descendente de ucranianos, e que já havia abordado o tema imigração em outros títulos de sua filmografia, como “Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná”, “A Colônia Cecília” (neste caso, sobre imigrantes italianos) e “O Herói de Cruz Machado” (poloneses).
O filme recebeu premiações no Festival de Cinema de Maringá, Florianópolis Audiovisual Mercosul, Fest Cine Goiânia, além de ser exibido nos festivais de Brasília, Mostra Tiradentes, Olhar de Cinema (Curitiba), Cinesul, FENAVID (Bolívia), Festival Cinematográfico de Montevideo (Uruguai) e Festival Latino-Americano de Cinema de Trieste (Itália).

Uma repercussão mundial para este tema tão universal.

Link original do Planeta Tela:

http://www.planetatela.com.br/noticia/ivan-emocionante-e-universal-como-a-aldeia-de-todos-nos/

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Matéria Publicada no Caderno G do Jornal Gazeta do Povo em 04.12.15.

Imigrante ucraniano que se tornou estrela de cinema aos 96 anos conta à Gazeta do Povo o que sentiu ao retornar à pátria depois de décadas no documentário “Iván”.

A ordem em que Iván Bojko, de 96 anos, mantém sua casa e oficina de artesanato, sem falar na aparência pessoal, denunciam um traço da personalidade do leste europeu. E ajudam a entender a indignação com que ele reage no documentário “Iván”, em cartaz na cidade, quando retorna à terra natal e encontra ruas enlameadas e roças destruídas.

“Me faz muito mal”, confessa o refugiado da Segunda Guerra, naturalizado brasileiro, que mora no bairro Bigorrilho.

“Tinha dois calmantes no bolso, e tomei, mas não adiantou. Minhas pernas tremiam”, diz Iván Bojko,retratado no documentário “Iván”, sobre a chegada à casa da infância.

Assistir ao filme dirigido e idealizado pelo descendente de imigrantes ucranianos Guto Pasko é uma travessia por um vale das lágrimas. A partir do momento em que Iván recebe, diante das câmeras, a passagem para retornar ao vilarejo de Konyukhy, no oeste da Ucrânia, depois de 68 anos de exílio, passando por cada parada em que encontra vizinhos e amigos de infância, até o doído e longo abraço na irmã que não via desde os 11 anos dela e 20 dele, são várias caixas de lenço.

A característica ordeira, metódica, talvez um pouco autoritária desse senhor encantador transparece no percurso da viagem, que durou cerca de 20 dias.

O trajeto foi filmado o tempo todo pela equipe, para não perder nada. Dentro do ônibus que levava o grupo à Ucrânia profunda, Iván ia sentado na ponta da poltrona, segurando um mapa da região que ele mesmo fez dois dias após saber que retornaria a seu país.

Na conversa com a Gazeta, ele rememorou os minutos antes de chegar à antiga vila: as pernas tremiam, os olhos não aceitavam a desolação da paisagem.

Em sua imaginação, a Ucrânia era uma lavoura bem cuidada, onde o pai dava duro para construir a casa onde moravam e o abrigo dos animais. “A vila era como uma cidade. Todo mundo ajudava, arrumava as ruas. Agora não tem nem homens”, lamenta. Os efeitos da ocupação alemã e soviética ficaram patentes da janela da condução.

Quando se ofereceu para assumir o lugar da irmã, convocada a aderir aos campos de trabalho forçado na Alemanha pelos nazistas, em 1942, Iván nem se despediu da família. Depois foram seis anos em Hamelin e então o exílio no Brasil, onde foi recebido pela vasta comunidade ucraniana. Se voltasse aos domínios da ex-URSS, poderia ser executado.

Por isso, a primeira coisa que pediu ao descer do ônibus foi ver onde os pais estavam enterrados. “Quando me falaram que ninguém sabia o lugar exato, comecei a me sentir mal”, conta. Foram três calmantes antes de entrar na casa, que ele não acreditava ser o ninho de sua infância, tamanho abandono e ruína. No filme, fotografias antigas deixadas nas paredes são cobertas como o áudio de Iván, inconsolável: “Que se aconteceu, meu pai? Fala comigo”, diz.

“Eu chamei pela mãe, pelo pai, e ninguém veio”, conta à reportagem, revelando uma alma poética afinada com o hobby a que se dedica desde os anos 1960: a construção de ‘banduras’, instrumento típico ucraniano, similar à harpa – em sua oficina, cuida delas com o máximo de capricho.

A morte da mãe

O clímax do documentário de Guto Pasko sobre o Iván pode ser considerado a entrada na antiga casa, onde o protagonista não se conforma com o abandono. Mas o extravasamento de emoção não amortece para a revelação seguinte sobre como sua mãe morreu. Nenhuma ficção seria tão cruel com o espectador.

“Iván”

Documentário está em cartaz nas salas do Água Verde (16h30), Cineplus Jardim (15h), Espaço Itaú (21h) e Cineplus Campo Largo (18h20).