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Critica de Luiz Carlos Merten no Jornal O Estado de S.Paulo em 30.11.2015.

Documentário de Guto Pasko acompanha a volta de Iván Bojko à sua Ucrânia após décadas.

Foi durante a realização do documentário Made in Ucrania, sobre ucranianos no Brasil, que o cineasta paranaense Guto Pasko conheceu Iván Bojko. Ele entrevistou o velhinho que fazia banduras e tocava o instrumento típico da Ucrânia. E Iván contou como, muito jovem, foi levado do país pelos nazistas para trabalhar na Alemanha. Com o fim da 2.ª Guerra, Iván tentou, mas não pôde voltar à cidade onde nasceu porque era considerado colaboracionista. Migrou para o Brasil em 1948 e aqui viveu/vive, saudoso das suas origens.

Pasko percebeu o material que tinha nas mãos. E, munido de uma câmera, ofereceu a Iván a passagem que ele recusa. Voltaram à Ucrânia pós-comunista, quase 70 anos depois, em busca do tempo perdido. O tempo reencontrado traz algo de despedida. Kiev mudou tanto que Iván não reconhece mais a capital da Ucrânia. Na cidade onde nasceu, o padre pede à congregação que o receba. Os sobreviventes, os que eram jovens como ele, viajam nas lembranças.

Mas Iván possui uma espécie de chama. Ele tem energia, entusiasmo. Não se deixa abater. Foi durante toda a vida, e continua sendo, um resistente. É o sentido da sua viagem. No mundo global, todo mundo sabe que as fronteiras só são abertas para o turismo e o consumo. Na Europa, todo dia ouvimos as histórias brutais de repressão às migrações. Por 70 anos, Iván carregou a Ucrânia em seu coração, e é lá, e só lá, que ela vive. No mundo em transformação, ele se sente mais ucraniano no Brasil. Ao receber a árvore genealógica da família, ele se dá conta da quantidade de parentes que nunca conheceu.

É um belo filme sobre memória. Sobre perdas e ganhos. A história de uma identidade reencontrada – internamente. Se Iván fosse uma personalidade pública, como Malala, os críticos talvez dissessem que o documentário de Pasko é hagiográfico, mas não é só. Como a da jovem Malala, a vida do velho Iván é daquelas que vale revisitar. Ambos nos iluminam, esclarecem.

O documentário Iván, em cartaz, mostra que alguns momentos são decisivos. Iván reencontra a irmã e ela lhe conta como foi a morte da mãe. Iván passeia por um campo de girassóis, a flor que virou marca registrada da Ucrânia, como a bandura. No mundo globalizado, ele ouve de dois velhos que tocam o instrumento, em Kiev, que os jovens não se identificam mais com o som da bandura. Estrangeiro na própria terra, sente-se também anacrônico. Sabe que não vai mais encontrar a irmã, que as banduras que produz talvez morram com ele.

Link para matéria original:

http://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,ivan-e-um-belo-filme-sobre-memoria–perdas-e-ganhos,10000003299

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Por Diego Olivares do Tela Tela da Revista Carta Capital em 27.11.2015.

Descendente de família ucraniana, o cineasta Guto Pasko é um ávido pesquisador de suas origens. Em 2006 lançou o documentário Made in Ucrânia, que trazia um histórico dos 110 anos de imigração de parte da população do País para o território brasileiro, com grande concentração no Paraná.

Um dos personagens daquele filme, Iván Bojko, ficou tão emocionado com o que vira na tela que entregou a Pasko uma coleção de seus diários, mantidos desde a primeira metade do século XX. Surpreso, o diretor encontrou relatos de como aquele homem sobreviveu aos campos de concentração da Segunda Guerra e veio para o Brasil, em 1948, para nunca mais retomar à sua terra natal.

Nascia assim Iván, longa que, além de contar esta história, registra a emocionante volta do protagonista à Ucrânia, aos 91 anos (ainda esbanjando lucidez e energia), para rever o vilarejo onde nasceu e parentes, alguns até então desconhecidos por ele.

Algumas cenas da viagem são emblemáticas. Uma delas é o momento em que o protagonista assiste a dois músicos de rua cantarem e tocarem a bandura, instrumento típico da região, que o próprio Iván fabrica por aqui, de modo artesanal e autodidata. Com lágrimas nos olhos, ele ouve canções sobre guerreiros que lutaram pela independência ucraniana, num misto de orgulho e saudade.

Outra é o clímax, quando retorna à casa onde passou a infância, hoje não muito mais que uma ruína. Neste momento, o choro que vem, cortante, é outro. É de alguém que teve parte considerável da vida roubada e, apesar de ter reconstruído uma trajetória das mais dignas, acumula cicatrizes que nunca fecharão.

É possível, até provável, que muitos que assistirem ao documentário projetem naquele senhor simpático e de sotaque carregado a figura de seus avós, independentemente da região de onde vieram. Quantos de nós não gostaríamos de proporcionar e acompanhá-los numa volta ao passado? Esta ligação emocional faz a experiência valer a pena.

Além disso, conta a favor o timing oportuno de seu tema. O filme recebeu chancela do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que está em uma campanha pelo fim da apatridia, e vê Iván Bojko como um símbolo de sua causa.

NOSSA OPINIÃO – nota 7.0
O choro do personagem, no clímax do filme, é de alguém que teve parte considerável da vida roubada e, apesar de ter reconstruído uma trajetória das mais dignas, acumula cicatrizes que nunca fecharão.

Link para original:

http://telatela.cartacapital.com.br/em-ivan-reconhecemos-um-pouco-de-nossos-avos/

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Matéria Publicada no Caderno G do Jornal Gazeta do Povo em 23.11.15.

Documentário leva o nonagenário Iván Bojko em viagem à Ucrânia para reencontrar a irmã que não via há 68 anos.

Após lançar em 2006 o documentário “Made in Ucrânia”, que abordava a imigração ucraniana no Brasil, o cineasta Guto Pasko foi presenteado por um de seus entrevistados.

Emocionado, Iván Bojko, à época com 86 anos, entregou em suas mãos dois cadernos. Eram diários que relatavam o cotidiano de um ucraniano após ser retirado de casa e levado à Alemanha pelo regime nazista na década de 1940.

O diretor viu que tinha uma grande história ali, que merecia ser levada às telas. Guto só não imaginava que daquela história nasceria outra, ainda mais emocionante.

“Iván”, o documentário que tem pré-estreia em Curitiba nesta terça-feira (24) e estreia nos cinemas de todo o Brasil na quinta (26), não se limita apenas a desvendar a história de seu protagonista. O filme literalmente leva-o ao encontro da história, em uma jornada à Ucrânia após quase sete décadas de separação.

Quando Guto entrevistou Iván em seu primeiro filme, foi para conhecer o octogenário que produzia e tocava a bandura, instrumento musical típico ucraniano.

Nas conversas, ficou sabendo que o ucraniano foi tirado à força do país natal em 1942 e levado à Alemanha para trabalhos forçados.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, ele não pode retornar ao país (então União Soviética) porque era considerado traidor pelo regime comunista.

Conseguiu vir para o Brasil, onde chegou em 1948 e permanece até hoje. À Ucrânia, onde ficaram os pais e duas irmãs, não voltou mais.

Guto conta que, após ver “Made in Ucrânia”, Iván o procurou. Foi quando lhe entregou os diários, com relatos dos 9 anos de idade até a chegada ao Brasil. “Tudo o que ele viveu nesse período, sob o regime nazista estava ali. À medida que eu ia lendo e traduzindo, ecoavam as palavras dele ao me entregar aquele material: ‘as pessoas precisam saber disso’”, conta o cineasta.

Como mostrar isso ao público? A pergunta levou a uma ideia ousada, viabilizada graças à seleção em um edital da Petrobras, que garantiu os recursos necessários para o projeto.

A proposta consistia em levar Iván de volta à Ucrânia, para visitar o vilarejo onde morou e reencontrar a irmã, que não via há 68 anos, desde que foram separados pela guerra. “Tínhamos bem claro o caminho a percorrer, mas era impossível prever o que iria acontecer”, conta Guto.

O resultado foram centenas de horas de filmagem, acompanhando um senhor de 90 anos, percorrendo 5 mil quilômetros pela Ucrânia em 40 dias. Entre o anúncio da viagem e o esperado reencontro com a irmã, Iván revê locais, pessoas e a cultura nativa. “Sabíamos que seria algo muito forte emocionante. Foi uma experiência transformadora para toda a equipe”, conclui o cineasta.

Por Anderson Gonçalves

http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/cinema/cineasta-guto-pasko-leva-ivan-para-casa-8mg9ackfgyrnehdgbjwpudbnr

Assista ao trailer de “Iván”:

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O longa-metragem “Iván – De Volta Para o Passado”, com roteiro e direção do cineasta paranaense Guto Pasko e produzido por Andréia Kaláboa, foi selecionado na Chamada Pública PRODECINE 03/2013, que destina recursos à comercialização de longas-metragens de ficção, animação ou documentário.

O Banco Regional de Desenvolvimento Econômico do Extremo Sul (BRDE) e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) irão investir R$ 200.000,00 no lançamento do filme nas salas de cinema no Brasil.

O filme foi produzido via Lei do Audiovisual e contou com patrocínio da Petrobrás e está pronto desde 2011. Desde então a produtora GP7 Cinema vinha tentando viabilizar a distribuição no circuito exibidor nacional.

Sinopse: Em 1942 Iván Bojko foi arrancado pelos nazistas de sua aldeia natal e levado para Alemanha para trabalhos forçados. Em 1948 ele imigrou para o Brasil como refugiado da segunda guerra mundial e nunca mais conseguiu voltar para a Ucrânia. 68 anos depois, o filme documenta o retorno de Iván Bojko à sua terra natal, numa verdadeira viagem de “volta ao passado”, já aos 91 anos de idade.

O Comitê de investimento optou por INVESTIR no projeto por considerar que as características artísticas e históricas da obra apresentam potencial de público dentro de um nicho de mercado específico do cinema brasileiro, além da possibilidade de circulação do projeto por outras janelas, inclusive no mercado internacional.

O lançamento da obra no mercado de cinema brasileiro será feito pela Distribuidora Moro Filmes, também de Curitiba, coordenada por Diana Moro.

As datas de lançamento nas salas de cinema brasileiras serão definidas em breve entre a produtora e a distribuidora.

Assista ao trailer do filme no link abaixo: