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Guto Pasko, Notícias

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Curitiba é uma metrópole que vive atualmente uma espécie de reformulação social, mantendo ainda em partes o seu ar de cidade provinciana e conservadora.

Nos últimos anos estão surgindo novos “Guetos Sociais” que vão se adaptando, como gays, lésbicas, manos do hip-hop, entre outros. Eram movimentos inimagináveis na cidade até então.

O grito de guerra dado por cerca de 150 jovens e adolescentes da periferia e adeptos do hip-hop – “Somos da Zona Sul e Oeste” – barrados na entrada de um Shopping Center que estava sendo inaugurado soou estranho no ouvido da população curitibana acostumada a dividir a cidade em bairros.

Ao que parece, a sociedade “curitibóca” terá de se acostumar a essa nova ordem, mas não sem conflitos.

O Telefilme é uma coprodução entre GP7 Cinema e Trópico Audiovisual, com direção de Guto Pasko e Diego Florentino.

Para abordar esse tema, o ponto de partida será esse episódio ocorrido ainda em 2008 e que chamou muita atenção da cidade. Duas faces de Curitiba que pouco convivem tiveram um encontro e nenhum dos dois lados ficou satisfeito com a experiência.

De um lado, os representantes dos “Guetos Tradicionais” da cidade. Eles ganham bem, usam roupas de grifes famosas, moram em condomínios fechados ou em boas casas e são adeptos do Shopping Center, uma mania curitibana.

Do outro lado, os representantes dos “Novos Guetos” da cidade. Eles usam roupas largas, moram longe, ganham pouco e se apresentam como moradores do Norte, Sul, Leste e Oeste, terminologia adotada para traduzir uma cidade que não se divide em bairros, mas em bolsões de pobreza.

Curitibano da gema é do bairro das Mercês, do Ahú, da Água Verde, do Batel, do Jardim Social. Mas eis que, de repente, quem estava por perto da muvuca se sentiu em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Nessas megacidades, os pontos cardeais são uma espécie de resumo da ópera: traduzem as linhas de trens e ônibus, as áreas de tráfico, o valor do lote e se o morador é suburbano ou usa tailleur. Resta saber se a nossa capital se rendeu ou não a essa ordem.

A cantoria dos garotos dos “Guetos da Periferia” na entrada do shopping nos evidencia que existe uma cidade subterrânea, que se organiza à sua moda, tem seus líderes, movimentos culturais e – como se vê agora – gogó bom o bastante para fazer se ouvir.

É esta Curitiba subterrânea, em contraste e conflito com a Curitiba do cartão postal, que este documentário pretende desvendar e retratar. Sejam bem-vindos aos “Guetos CWB”.

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