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Guto Pasko, Imprensa, Notícias, Uncategorized

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Uma série para a tevê, sobre jornalismo investigativo, está sendo gravada no Paraná. Assinada pela produtora GP7 Cinema, do diretor Guto Pasko, a série chama-se Contracapa e terá 13 episódios de 52 minutos cada. A produção explora os bastidores da notícia a partir do jornalismo investigativo, mostrando as etapas e desafios que cercam este tipo de trabalho. A série será exibida em tevês públicas e os diretores também pretendem vendê-la para emissoras privadas.

Ao todo, 107 atores, todos paranaenses, estão envolvidos com a produção. Os cinco roteiristas também são do Paraná, bem como a equipe técnica, com exceção do argentino Franco Verdoia, que assina a codireção. Contracapa foi selecionada na segunda edição da Chamada Pública para Produção de Conteúdo para TVs Públicas, dentro do programa Brasil de Todas as Telas, sendo o primeiro de grande porte no Paraná a fazer uso do programa. As filmagens vão até 10 de novembro.

Legenda foto: Guto Pasko com parte do elenco e equipe / Foto de Kid Azevedo

Por Reinaldo Bessa em 27/10/2017 no Jornal Gazeta do Povo

http://www.gazetadopovo.com.br/reinaldo-bessa/curiosidades/jornalismo-investigativo-sobre-corrupcao-e-tema-de-serie-rodada-no-parana/

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Estreou no circuito de TVs comunitárias e universitárias brasileiras a série documental “Um Lugar Para Chamar de CEU”.

“Um Para Chamar de CEU” é sobre a história e as experiências de 5 jovens, moradores da CEU (Casa do Estudante Universitário do Paraná), cada um em um estágio diferente na universidade e na vida, todos de lugares diferentes do Brasil, mas com o mesmo objetivo: fazer uma faculdade e mudar suas histórias pessoais e familiares.

Produzida pela GP7 Cinema, com investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual – Chamada Pública PRODAV 12/2014, a série tem direção e roteiro de Amarildo Martins e Guto Pasko e produção executiva de Andréia Kaláboa.

Ao todo mais de 200 TVs dos segmentos universitário, comunitário, educativo e cultural do campo público de televisão tiveram acesso à série “Um Lugar Para Chamar de CEU” e poderão exibí-la até março de 2018.

As datas e horários de exibição, bem como as TVs, serão divulgadas na página do facebook da série.
Link: https://www.facebook.com/serieCEU/ 

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Matéria Publicada no Caderno G do Jornal Gazeta do Povo em 26.06.2016.

A exibição dos filmes será gratuita e acontecerá no Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer (MON).

Alguns dos filmes mais importantes produzidos nos três estados da região Sul nesta década serão exibidos a partir desta segunda-feira (27) na Mostra BRDE de Cinema Brasileiro.

Entre os filmes selecionado o destaque é “Para Minha Amada Morta”, filme de Aly Muritiba, que levou sete prêmios no Festival de Cinema de Brasília no ano passado.

Também integra a mostra documentário “Iván”, do paranaense Guto Pasko, que narra história do ucraniano sobrevivente da Segunda Guerra Mundial que fugiu para o Brasil e depois de quase 70 anos volta à terra natal.

Na programação há duas animações. Uma delas é “Até que a Sbórnia nos separe”, livremente inspirado no espetáculo Tangos & Tragédias, criado e interpretado pela dupla gaúcha Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, falecido em 2014. A outra é “Bruxarias”, voltada para crianças e conta a história de uma menina que descobre ser de uma linhagem de feiticeiras e precisa salvar a avó e os segredos da família.

Completam o festival “Oração do Amor Selvagem”, com o ator Chico Diaz como protagonista; “Real beleza”, com direção de Jorge Furtado, com Adriana Esteves e Vladimir Brichta nos papeis principais, e “Beira-mar”, premiado no Festival de Cinema do Rio em 2015.

A exibição dos filmes será gratuita e acontecerá no Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer (MON).

Mostra BRDE de Cinema Brasileiro

Data: de 27 a 30 de junho

Local: Auditório Poty Lazzarotto no Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999)

Horário: 14h30 e 19h30

Confira aqui a programação completa

Programação

Dia 27/06 (segunda-feira) – Sessão exclusiva para convidados

20h: Iván – De Volta ao Passado (documentário)

Dia 28/06 (terça-feira)

14h30: Até que a Sbórnia nos Separe (animação)

19h30: Para Minha Amada Morta (drama)

Dia 29/06 (quarta-feira)

14h30: Bruxarias (Animação)

19h30: Oração do Amor Selvagem (drama)

Dia 30/ 06 (quinta-feira)

14h30: Real Beleza (drama)

17 horas: Beira-Mar (drama)

19h30: Iván – De Volta ao Passado (documentário)

Por Sandro Moser

http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/mostra-reune-producao-recente-do-cinema-da-regiao-sul-bh20bnx3z5u9dfg753jakrgzw

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Matéria Publicada no Jornal Gazeta do Povo em 15.01.2016.

A história do cantor que gravou o primeiro disco de rock de Curitiba é o tema do documentário “Procurando Cris McClayton”, que será exibido neste sábado (16) no Paço da Liberdade. A sessão acontece às 18h e a entrada é gratuita. Porém, os ingressos deverão ser retirados com antecedência. Após a exibição acontece um bate-papo com os diretores e convidados.

Dirigido por Guto Pasko e produzido pelos jornalistas Antonio Carlos Domingues e Ulisses Iarochinski, o documentário lançado em 2014 retrata a carreira de Pedro Luis Schoemberger, que usava o pseudônimo Cris McClayton. Seguindo uma tendência da época, usava nomes artísticos estrangeiros e gravava versões em português de sucessos internacionais.

Em 1973, Cris McClayton gravou com as músicas “Longe de Você” e “Bye, bye Rose Marie”.

Assista ao trailer:

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Por Celso Sabadin do Planeta Tela.

Foi Tolstoi – não foi? – que disse que se o escritor quiser ser universal, ele deve retratar sua própria aldeia? Pois o cineasta Guto Pasko deu um passo além: não só criou um documentário universal, ao abordar valores de profunda identificação com todas as culturas e corações mundiais, como também levou o próprio objeto de seu filme de volta à sua aldeia.

Explico: o longa “Iván” focaliza a simpática figura de Iván Bojko, refugiado ucraniano que durante a Segunda Guerra foi tirado à força de seu país por nazistas, realizou trabalhos forçados na Alemanha, imigrou para o Brasil, e nunca mais viu sua família nem sua terra. Aos 91 anos, hoje o Sr. Iván seria um prato cheio para um belo documentário que contasse todas esta histórias. Mas o filme guarda uma surpresa (não é spoiler) que o coloca alguns degraus acima de (mais) um simples registro de um sobrevivente de guerra: para o espanto do próprio entrevistado, a produção do longa armou o seu retorno à Ucrânia, para revisitar a terra que forçosamente abandonara há mais de 60 anos, e conhecer parte de sua família que nunca vira.

“Iván” é o registro desta jornada. É um filme sobre retornos, reencontros, raízes culturais, relações familiares, perdas… não tem como não emocionar. Não tem como vê-lo de olhos secos, principalmente num momento como este, onde o tema dos refugiados volta à pauta mundial, com terríveis repercussões.

“Iván” tem direção de Guto Pasko, realizador paranaense descendente de ucranianos, e que já havia abordado o tema imigração em outros títulos de sua filmografia, como “Made in Ucrânia – Os Ucranianos no Paraná”, “A Colônia Cecília” (neste caso, sobre imigrantes italianos) e “O Herói de Cruz Machado” (poloneses).
O filme recebeu premiações no Festival de Cinema de Maringá, Florianópolis Audiovisual Mercosul, Fest Cine Goiânia, além de ser exibido nos festivais de Brasília, Mostra Tiradentes, Olhar de Cinema (Curitiba), Cinesul, FENAVID (Bolívia), Festival Cinematográfico de Montevideo (Uruguai) e Festival Latino-Americano de Cinema de Trieste (Itália).

Uma repercussão mundial para este tema tão universal.

Link original do Planeta Tela:

http://www.planetatela.com.br/noticia/ivan-emocionante-e-universal-como-a-aldeia-de-todos-nos/

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Matéria Publicada no Caderno G do Jornal Gazeta do Povo em 04.12.15.

Imigrante ucraniano que se tornou estrela de cinema aos 96 anos conta à Gazeta do Povo o que sentiu ao retornar à pátria depois de décadas no documentário “Iván”.

A ordem em que Iván Bojko, de 96 anos, mantém sua casa e oficina de artesanato, sem falar na aparência pessoal, denunciam um traço da personalidade do leste europeu. E ajudam a entender a indignação com que ele reage no documentário “Iván”, em cartaz na cidade, quando retorna à terra natal e encontra ruas enlameadas e roças destruídas.

“Me faz muito mal”, confessa o refugiado da Segunda Guerra, naturalizado brasileiro, que mora no bairro Bigorrilho.

“Tinha dois calmantes no bolso, e tomei, mas não adiantou. Minhas pernas tremiam”, diz Iván Bojko,retratado no documentário “Iván”, sobre a chegada à casa da infância.

Assistir ao filme dirigido e idealizado pelo descendente de imigrantes ucranianos Guto Pasko é uma travessia por um vale das lágrimas. A partir do momento em que Iván recebe, diante das câmeras, a passagem para retornar ao vilarejo de Konyukhy, no oeste da Ucrânia, depois de 68 anos de exílio, passando por cada parada em que encontra vizinhos e amigos de infância, até o doído e longo abraço na irmã que não via desde os 11 anos dela e 20 dele, são várias caixas de lenço.

A característica ordeira, metódica, talvez um pouco autoritária desse senhor encantador transparece no percurso da viagem, que durou cerca de 20 dias.

O trajeto foi filmado o tempo todo pela equipe, para não perder nada. Dentro do ônibus que levava o grupo à Ucrânia profunda, Iván ia sentado na ponta da poltrona, segurando um mapa da região que ele mesmo fez dois dias após saber que retornaria a seu país.

Na conversa com a Gazeta, ele rememorou os minutos antes de chegar à antiga vila: as pernas tremiam, os olhos não aceitavam a desolação da paisagem.

Em sua imaginação, a Ucrânia era uma lavoura bem cuidada, onde o pai dava duro para construir a casa onde moravam e o abrigo dos animais. “A vila era como uma cidade. Todo mundo ajudava, arrumava as ruas. Agora não tem nem homens”, lamenta. Os efeitos da ocupação alemã e soviética ficaram patentes da janela da condução.

Quando se ofereceu para assumir o lugar da irmã, convocada a aderir aos campos de trabalho forçado na Alemanha pelos nazistas, em 1942, Iván nem se despediu da família. Depois foram seis anos em Hamelin e então o exílio no Brasil, onde foi recebido pela vasta comunidade ucraniana. Se voltasse aos domínios da ex-URSS, poderia ser executado.

Por isso, a primeira coisa que pediu ao descer do ônibus foi ver onde os pais estavam enterrados. “Quando me falaram que ninguém sabia o lugar exato, comecei a me sentir mal”, conta. Foram três calmantes antes de entrar na casa, que ele não acreditava ser o ninho de sua infância, tamanho abandono e ruína. No filme, fotografias antigas deixadas nas paredes são cobertas como o áudio de Iván, inconsolável: “Que se aconteceu, meu pai? Fala comigo”, diz.

“Eu chamei pela mãe, pelo pai, e ninguém veio”, conta à reportagem, revelando uma alma poética afinada com o hobby a que se dedica desde os anos 1960: a construção de ‘banduras’, instrumento típico ucraniano, similar à harpa – em sua oficina, cuida delas com o máximo de capricho.

A morte da mãe

O clímax do documentário de Guto Pasko sobre o Iván pode ser considerado a entrada na antiga casa, onde o protagonista não se conforma com o abandono. Mas o extravasamento de emoção não amortece para a revelação seguinte sobre como sua mãe morreu. Nenhuma ficção seria tão cruel com o espectador.

“Iván”

Documentário está em cartaz nas salas do Água Verde (16h30), Cineplus Jardim (15h), Espaço Itaú (21h) e Cineplus Campo Largo (18h20).

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Critica de Luiz Carlos Merten no Jornal O Estado de S.Paulo em 30.11.2015.

Documentário de Guto Pasko acompanha a volta de Iván Bojko à sua Ucrânia após décadas.

Foi durante a realização do documentário Made in Ucrania, sobre ucranianos no Brasil, que o cineasta paranaense Guto Pasko conheceu Iván Bojko. Ele entrevistou o velhinho que fazia banduras e tocava o instrumento típico da Ucrânia. E Iván contou como, muito jovem, foi levado do país pelos nazistas para trabalhar na Alemanha. Com o fim da 2.ª Guerra, Iván tentou, mas não pôde voltar à cidade onde nasceu porque era considerado colaboracionista. Migrou para o Brasil em 1948 e aqui viveu/vive, saudoso das suas origens.

Pasko percebeu o material que tinha nas mãos. E, munido de uma câmera, ofereceu a Iván a passagem que ele recusa. Voltaram à Ucrânia pós-comunista, quase 70 anos depois, em busca do tempo perdido. O tempo reencontrado traz algo de despedida. Kiev mudou tanto que Iván não reconhece mais a capital da Ucrânia. Na cidade onde nasceu, o padre pede à congregação que o receba. Os sobreviventes, os que eram jovens como ele, viajam nas lembranças.

Mas Iván possui uma espécie de chama. Ele tem energia, entusiasmo. Não se deixa abater. Foi durante toda a vida, e continua sendo, um resistente. É o sentido da sua viagem. No mundo global, todo mundo sabe que as fronteiras só são abertas para o turismo e o consumo. Na Europa, todo dia ouvimos as histórias brutais de repressão às migrações. Por 70 anos, Iván carregou a Ucrânia em seu coração, e é lá, e só lá, que ela vive. No mundo em transformação, ele se sente mais ucraniano no Brasil. Ao receber a árvore genealógica da família, ele se dá conta da quantidade de parentes que nunca conheceu.

É um belo filme sobre memória. Sobre perdas e ganhos. A história de uma identidade reencontrada – internamente. Se Iván fosse uma personalidade pública, como Malala, os críticos talvez dissessem que o documentário de Pasko é hagiográfico, mas não é só. Como a da jovem Malala, a vida do velho Iván é daquelas que vale revisitar. Ambos nos iluminam, esclarecem.

O documentário Iván, em cartaz, mostra que alguns momentos são decisivos. Iván reencontra a irmã e ela lhe conta como foi a morte da mãe. Iván passeia por um campo de girassóis, a flor que virou marca registrada da Ucrânia, como a bandura. No mundo globalizado, ele ouve de dois velhos que tocam o instrumento, em Kiev, que os jovens não se identificam mais com o som da bandura. Estrangeiro na própria terra, sente-se também anacrônico. Sabe que não vai mais encontrar a irmã, que as banduras que produz talvez morram com ele.

Link para matéria original:

http://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,ivan-e-um-belo-filme-sobre-memoria–perdas-e-ganhos,10000003299

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Critica de André Barcinski para o Caderno Ilustrada do Jornal Folha de S.Paulo em 27.11.2015.

Quem olha para Iván Bojko, um velhinho simpático que mora no Paraná e tem por hobby construir banduras –uma espécie de alaúde típico da Ucrânia–, não imagina a vida que ele levou.

Nascido há 91 anos numa aldeia ucraniana, Bojko foi preso pelos nazistas em 1942 e levado a um campo de trabalhos forçados na Alemanha, onde ficou por três anos. Com o fim da Segunda Guerra, não pôde voltar ao país natal: os russos dominavam a região e consideravam traidor quem supostamente havia colaborado com os alemães. Chegou ao Brasil em 1948.

“Iván”, do diretor paranaense Guto Pasko, conta a trajetória de Bojko e seu retorno à Ucrânia após quase sete décadas. O choque é grande: Bojko chega a Kiev e não reconhece a cidade. Encontra dois tocadores de bandura e parece triste quando eles dizem que a juventude não quer saber do velho instrumento.

Mas a emoção é maior quando Bojko volta à pequena aldeia natal, onde encontra parentes, vizinhos e amigos. Há uma cena comovente em uma igreja: o padre interrompe a missa e pede à congregação que o saúde. Octogenárias cercam Bojko: uma era sua vizinha; outra, a esposa de um grande amigo.

A catarse acontece quando Bojko reencontra a irmã em outra região do país. Ela relata a morte da mãe deles, uma história que ele nunca ouvira. É de gelar a alma.

Mais que o relato do reencontro de um homem com sua família e pátria, “Iván” é um filme sobre memória e perda. Bojko recebe de presente um documento com sua árvore genealógica e fica espantando com a quantidade de parentes que nunca conheceu. Ao se despedir da irmã, ambos sabem que é para sempre.

O filme é um pouco prolixo, parece estender algumas cenas que, reduzidas, ganhariam em dramaticidade. Mas nada que comprometa a experiência de ver esse documentário bonito e emocionante.

IVÁN
DIREÇÃO Guto Pasko
ELENCO Iván Bojko
PRODUÇÃO Brasil, 2014, 10 anos
QUANDO em cartaz

ANDRÉ BARCINSKI é jornalista e autor do livro “Pavões Misteriosos” (Três Estrelas)

http://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/11/1711576-emocionante-ivan-trata-de-memorias-e-despedidas.shtml?mobile

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Por Diego Olivares do Tela Tela da Revista Carta Capital em 27.11.2015.

Descendente de família ucraniana, o cineasta Guto Pasko é um ávido pesquisador de suas origens. Em 2006 lançou o documentário Made in Ucrânia, que trazia um histórico dos 110 anos de imigração de parte da população do País para o território brasileiro, com grande concentração no Paraná.

Um dos personagens daquele filme, Iván Bojko, ficou tão emocionado com o que vira na tela que entregou a Pasko uma coleção de seus diários, mantidos desde a primeira metade do século XX. Surpreso, o diretor encontrou relatos de como aquele homem sobreviveu aos campos de concentração da Segunda Guerra e veio para o Brasil, em 1948, para nunca mais retomar à sua terra natal.

Nascia assim Iván, longa que, além de contar esta história, registra a emocionante volta do protagonista à Ucrânia, aos 91 anos (ainda esbanjando lucidez e energia), para rever o vilarejo onde nasceu e parentes, alguns até então desconhecidos por ele.

Algumas cenas da viagem são emblemáticas. Uma delas é o momento em que o protagonista assiste a dois músicos de rua cantarem e tocarem a bandura, instrumento típico da região, que o próprio Iván fabrica por aqui, de modo artesanal e autodidata. Com lágrimas nos olhos, ele ouve canções sobre guerreiros que lutaram pela independência ucraniana, num misto de orgulho e saudade.

Outra é o clímax, quando retorna à casa onde passou a infância, hoje não muito mais que uma ruína. Neste momento, o choro que vem, cortante, é outro. É de alguém que teve parte considerável da vida roubada e, apesar de ter reconstruído uma trajetória das mais dignas, acumula cicatrizes que nunca fecharão.

É possível, até provável, que muitos que assistirem ao documentário projetem naquele senhor simpático e de sotaque carregado a figura de seus avós, independentemente da região de onde vieram. Quantos de nós não gostaríamos de proporcionar e acompanhá-los numa volta ao passado? Esta ligação emocional faz a experiência valer a pena.

Além disso, conta a favor o timing oportuno de seu tema. O filme recebeu chancela do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que está em uma campanha pelo fim da apatridia, e vê Iván Bojko como um símbolo de sua causa.

NOSSA OPINIÃO – nota 7.0
O choro do personagem, no clímax do filme, é de alguém que teve parte considerável da vida roubada e, apesar de ter reconstruído uma trajetória das mais dignas, acumula cicatrizes que nunca fecharão.

Link para original:

http://telatela.cartacapital.com.br/em-ivan-reconhecemos-um-pouco-de-nossos-avos/

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Matéria Publicada no Caderno G do Jornal Gazeta do Povo em 23.11.15.

Documentário leva o nonagenário Iván Bojko em viagem à Ucrânia para reencontrar a irmã que não via há 68 anos.

Após lançar em 2006 o documentário “Made in Ucrânia”, que abordava a imigração ucraniana no Brasil, o cineasta Guto Pasko foi presenteado por um de seus entrevistados.

Emocionado, Iván Bojko, à época com 86 anos, entregou em suas mãos dois cadernos. Eram diários que relatavam o cotidiano de um ucraniano após ser retirado de casa e levado à Alemanha pelo regime nazista na década de 1940.

O diretor viu que tinha uma grande história ali, que merecia ser levada às telas. Guto só não imaginava que daquela história nasceria outra, ainda mais emocionante.

“Iván”, o documentário que tem pré-estreia em Curitiba nesta terça-feira (24) e estreia nos cinemas de todo o Brasil na quinta (26), não se limita apenas a desvendar a história de seu protagonista. O filme literalmente leva-o ao encontro da história, em uma jornada à Ucrânia após quase sete décadas de separação.

Quando Guto entrevistou Iván em seu primeiro filme, foi para conhecer o octogenário que produzia e tocava a bandura, instrumento musical típico ucraniano.

Nas conversas, ficou sabendo que o ucraniano foi tirado à força do país natal em 1942 e levado à Alemanha para trabalhos forçados.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, ele não pode retornar ao país (então União Soviética) porque era considerado traidor pelo regime comunista.

Conseguiu vir para o Brasil, onde chegou em 1948 e permanece até hoje. À Ucrânia, onde ficaram os pais e duas irmãs, não voltou mais.

Guto conta que, após ver “Made in Ucrânia”, Iván o procurou. Foi quando lhe entregou os diários, com relatos dos 9 anos de idade até a chegada ao Brasil. “Tudo o que ele viveu nesse período, sob o regime nazista estava ali. À medida que eu ia lendo e traduzindo, ecoavam as palavras dele ao me entregar aquele material: ‘as pessoas precisam saber disso’”, conta o cineasta.

Como mostrar isso ao público? A pergunta levou a uma ideia ousada, viabilizada graças à seleção em um edital da Petrobras, que garantiu os recursos necessários para o projeto.

A proposta consistia em levar Iván de volta à Ucrânia, para visitar o vilarejo onde morou e reencontrar a irmã, que não via há 68 anos, desde que foram separados pela guerra. “Tínhamos bem claro o caminho a percorrer, mas era impossível prever o que iria acontecer”, conta Guto.

O resultado foram centenas de horas de filmagem, acompanhando um senhor de 90 anos, percorrendo 5 mil quilômetros pela Ucrânia em 40 dias. Entre o anúncio da viagem e o esperado reencontro com a irmã, Iván revê locais, pessoas e a cultura nativa. “Sabíamos que seria algo muito forte emocionante. Foi uma experiência transformadora para toda a equipe”, conclui o cineasta.

Por Anderson Gonçalves

http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/cinema/cineasta-guto-pasko-leva-ivan-para-casa-8mg9ackfgyrnehdgbjwpudbnr

Assista ao trailer de “Iván”: